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domingo, 16 de março de 2014

A GUERRA DOS CROMOSSOMOS

A GUERRA DOS CROMOSSOMOS
 Por Nicéas Romeo Zanchett 



                    Somos escravos da biologia? - Até certo ponto sim, mas a forma de vida que levamos também interfere profundamente tanto na nossa vida como na dos nossos descendentes.
                     Nas monótonas linhas das sequências de milhões de bases que compõem o cromossomo X estão informações que poderão explicar algumas das diferenças entre homens e mulheres e, mesmo parte da genética que criou e faz cada pessoa ser única em todo o mundo. Mas isso não é tudo; o meio ambiente - incluindo a cultura, a educação e o próprio ambiente uterino - tem enorme peso na formação de cada ser. A vida levada pela mãe grávida tem profunda influência na formação do feto. Portanto, não somos escravos exclusivos da biologia. 
                      O genoma humano é o código químico com todas as instruções necessárias para formar um ser humano. Ele é feito de DNA (ácido desoxirribonucleico), uma longa molécula composta por uma cadeia de fosfato e açucar em forma de dupla hélice. O código utiliza quatro letras -ATCG - que correspondem aos componentes químicos - as bases-. 
                      São as sequências funcionais do DNA (que determina a produção de proteínas necessárias à formação de cada parte do corpo humano). Eles são como receitas para proteínas. Somente 3% do DNA humano é composto por genes. As bases são: Adenina (A), timina (T), citosina (C) e guanina (G). A adenina sempre se liga à timina e a citosina à guanina. O DNA varia cerca de 0,1% de uma pessoa para outra. A exceção são os gêmeos idênticos ou univitelinos.  
                      Os cromossomos humanos são pacotes de DNA. O homem tem 46 cromossomos (são 22 pares de os cromossomos sexuais X e Y).  Todas as cem trilhões de células humanas contém um conjunto completo de cromossomos. As exceções são as células sexuais, que só têm a metade, e as hemácias, que não tem nenhuma. 
                      O mundo moderno tem nos trazido uma grande quantidade de medicamentos - incluindo aí os hormônios sintéticos e outras drogas como cigarro, por exemplo - que podem alterar profundamente o desenvolvimento do bebê no útero da mãe; e não é apenas aqueles que são consumidos durante a gestação, mas também os anteriores que já fazem parte do organismo dos pais. Como consequência, parece estar surgindo uma nova espécie humana, onde homens e mulheres estão cada vez mais parecidos; há um evidente desequilíbrio hormonal que está se mostrando de forma significativa nas novas gerações. 
                       A ciência tem descoberto muito a respeito do arcabouço de DNA sobre o qual nosso organismo é construído. Mas ainda não se pode ter uma visão determinista do papel do DNA na natureza humana. Entretanto, hoje já se pode ter muitas informações sobre doenças no estudo do genoma. 

                        O "X" e o "Y" já disputavam o poder há 300 milhões de anos, portanto, muitas eras antes do primeiro ancestral da humanidade caminhar sobre a Terra. Essa disputa continua a causar impacto na vida de cada homem ou mulher do planeta. A disputa acontece em nosso código genético, na parte mais íntima do nosso corpo. Ela é incessante e está acontecendo em seu interior neste momento em que você lê este artigo. É uma verdadeira batalha ente os cromossomos sexuais "X" (feminino) e "Y" (masculino) . Trata-se de uma silenciosa competição entre os genes que cada um de nós herdou do pai e da mãe. Seu resultado influencia nossa sexualidade, nossa saúde e nossa evolução como espécie. 
                      Enquanto os homens têm um cromossomo X e outro Y, as mulheres têm um par de X. Um recente estudo revelou que o X de homens e mulheres é muito diferente. Portanto, não existe um genoma humano, mas, sim, um genoma do homem e outro da mulher. O estudo revelou que o cromossomo sexual masculino Y, apos milhões de anos de competição, perdeu tamanho e complexidade, mas preservou um gene especial do sexo masculino, o SRY, responsável pela indução do desenvolvimento dos testículos. 
                       Na verdade, temos dois genomas: um herdado do pai e outro da mãe que não gostam um do outro e vivem em permanente competição. Muitas vezes os interesses dos genes maternos são conflitantes com os paternos. Isso tem um enorme impacto em nossa vida.

                       O estudo do cromossomo X evidenciou a complexidade das combinações genéticas e ajudou a explicar porque o homem é mais vulnerável ás doenças. Enquanto as mulheres possuem duas cópias do X, nos homens o par de cromossomos é composto por um X e um Y. Isso faz com que os homens sejam mais vulneráveis a doenças associadas a falhas no X. Como as mulheres tem dois X, podem compensar os defeitos. Outro fator determinante é que o cromossomo X é muito mais complexo do que o atrofiado Y. Enquanto o X tem 1.098 genes, o Y tem menos de 100.
                       Entre as doenças associadas a falhas no X se manifestam em forma de retardo mental, hemofilia, distrofia muscular de Duchenne, autismo, dislexia, além de problemas como daltonismo, lábio leporino, hiperatividade e disfunção de linguagem.  Alguns distúrbios são exclusivamente masculinos, como o daltonismo e a hemofilia. As mulheres podem passar para seus filhos a falha genética associada a esses problemas, mas estão protegidas e não desenvolvem esses distúrbios. 
                       A genética feminina é muito mais complexa do que se imaginava. Genes que se supunham inativos, na verdade, estão bem atuantes. São eles que fundamentam as diferenças entre homens e mulheres. Além disso contribuem para evidenciar as diferenças que existem entre as próprias mulheres. Alguns genes do X estão muito ativos em certas mulheres, em outras podem estar permanentemente adormecidos. Os cientistas ainda estão estudando para que servem esses genes, como funcionam e quais os resultados de suas muitas combinações. O que já se tem certeza é de que a complexidade genética da mulher é muito maior do que se poderia prever. 


Doenças Associadas ao Cromossomo X

CÉREBRO
Retardo mental, Síndrome de Rett, Síndrome de Asperger, Autismo. Epilepsia. 

OUVIDO 
Surdez. 

RIM 
Hemoglobinuria.

NERVOS
Síndrome Charcot-Marie, Epilepsia. 

OLHOS
Daltonismo, Cegueira noturna, Retinite Pigmentosa, Distrofia ocular, Retinose juvenil, Albinismo ocular. 

FACE
Displasia facial, Síndrome cranio frontonasal, Lábio leporino. 

CORAÇÃO
Cardiomiopatia.

PELE 
Displasia ectodermal, Disqueratose congênita, Albinismo, Ictiose. 

METABOLISMO
Obesidade, Diabetes. 

SANGUE
Hemofilia e anemia. 

MÚSCULOS 
Distrofia muscular, Cinese fosforilase.
  
REPRODUÇÃO
Falha ovariana prematura, Disgênese ovariana, Síndrome do homem infértil. 

SISTEMA IMUNOLÓGICO
Imunodeficiência, Agamaglobulinemia, Imunoproliferação, Leucemia, Imunodesregulação, 
Hiper IgM. 

METABOLISMO CELULAR 
Síndrome de Hunter, Síndrome de Lesh-Nyhan. Hiperglicerolemia, 
Doença do acúmulo de glicogênio, Deficiência de creatina. 

ARTICULAÇÕES
Gota. 

Pesquisado em sérias publicações científicas. 
Nicéas Romeo Zanchett 

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