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sábado, 4 de maio de 2013

AMOR E BISSEXUALIDADE

AMOR E BISSEXUALIDADE 

                A finalidade do amor não é a procriação. Uma mulher pode ter muita tesão pelo marido e com ele chegar a múltiplos orgasmos, mas ao mesmo tempo ter um profundo sentimento de amor por uma amiga. O amor é algo muito especial e profundo, devendo sempre ser respeitado e compreendido. 
                O fenômeno erótico é antecessor da sexualidade. Ele é fruto da origem da vida que teve sua primeira forma unicelular. A sexualização é apenas uma das formas de dualização da vida. A união sexual é uma das maneiras de compensar a dualidade e de reconstituir a unidade. Esta análise nos leva a perceber que o amor não se confunde com a sexualidade e nem com o instinto de procriação. A atração dos sexos opostos é apenas uma das modalidade de algo bem mais amplo, uma forma de se liberar de toda a diferenciação, particularização e fragmentação, para reconstruir uma indistinção perdida ao longo de bilhões de anos.
                 Freud em sua última definição do ato sexual disse: "Uma agressão que busca a união mais íntima". Ele já considerava a bissexualidade como algo natural do homem quando disse: "Habituo-me a considerar todo o ato sexual como um acontecimento envolvendo quatro pessoas".  Também Jung identifica no psiquismo humano uma tendência a reconstruir um estado de coexistência do masculino e do feminino. Ambos apontavam o tema da bissexualidade como algo de caráter científico. De forma que temos  de pensar na bissexualidade pela perspectiva evolucionista. O homem se sente incompleto e busca no oposto sua forma original. Este é, portanto, um instinto físico e não amoroso. A sexualidade é separação e união, antagonismo e atração. Aí está todo o mistério da atração dos opostos. 
                Para compreendermos  melhor a bissexualidade devemos, necessariamente, voltar às primeira fase da vida embrionária. O embrião conhece a princípio um estado de indiferenciação sexual com um único órgão que lembra o ovotéstis. Ao assumir o sexo masculino ou feminino,este órgão desenvolve a parte central chamada medular ou sua zona periférica chamada cortical. A direção dada a esta diferenciação é feita sob controle dos hormônios. Durante todo o seu crescimento, o embrião desenvolve uns e não os outros, resultando nas formas sexuais masculina  ou femininas. Entretanto, mesmo ao final de sua formação e definição sexual, ficam as atrofias dos órgãos do sexo sacrificado. Esta admirável metamorfose do aparelho genital pouco-a-pouco se sexualiza desenvolvendo no homem uma espécie de botão (pênis) e na mulher um orifício (vagina). Assim podemos dizer que a mulher é o prolongamento do homem e vice-versa. 
                 A teoria dos hormônios dá uma base científica à hipótese de uma bissexualidade permanente, embora flutuante, da espécie humana. As secreções que asseguram a sexualização do embrião são as mesmas que determinam a do adulto. Todo o indivíduo segrega ao mesmo tempo hormônios masculinos e femininos. O que se pode dizer é que os machos produzem mais andrógenos do que estrógenos, mas esta proporção está  sujeita a variações. Além disso, a estrutura química dos hormônios é susceptível a mudanças. Mesmo no indivíduo adulto, os hormônios apresentam uma certa flutuação entre os sexos. É esta função reguladora dos hormônios que gera uma potencialidade sexual dupla e comprova, de maneira evidente, a bissexualidade do homem. Sabemos que os hormônios não apenas controlam o desenvolvimento e o comportamento fisiológico dos sexos, como também o comportamento psicológico. O psiquismo humano depende intimamente do equilíbrio hormonal. Uma simples injeção de hormônios femininos desenvolve glândulas mamárias e amor materno no homem. 
                Quando falamos da união entre homem e mulher nos vem logo a ideia de procriação, mas na maioria dos casos ela é evitada utilizando-se dos mais diversos meios contraceptivos hoje existentes. São incontáveis os casais que se unem sem o objetivo de fecundação. Seria um grave erro considerar estas uniões como desprovidas de sentido. Existem casos  - excepcionais - em que elas significam uma verdadeira fecundação espiritual que, neste caso, substitui plenamente a outra. Para compreender  e interpretar essas uniões devemos recorrer ao esquema biológico, a partir do esquema celular. Os hormônios são uma prova de que a união se realiza em níveis diferentes. Esta escala comporta virtualidades infinitas que vão desde a simples fecundação ovular à fecundação do coração, da imaginação e das fantasias da mente. Do cego apetite sexual à consciência da união edificante pelo amor. 
                 A descoberta dos hormônios justifica a interpretação do amor sexual. Estas secreções sustentam a hipótese de uma continuidade entre o físico e o moral, mas também entre o corpo e a alma, a matéria e o espírito. 
                A representação do sexo como um simples conflito entre campos de força masculina e feminina é a mesma da bipolaridade que, de certa forma, consiste na dualização de nossa natureza. 
                O amor é um fenômeno da indução e do magnetismo. Tanto o sexo como o amor não perdem seu mistério pelo fato de o analisarmos sob os olhos da química e da biologia; ao contrário, nos leva a meditar sobre a verdadeira noção deste mistério. O tabu das religiões tradicionais está, aos poucos, sendo substituído pela ideia do mistério que pode ser aproximado. A evolução procede às custas de um certo romantismo e a ciência procura seguir o caminho mais exemplar pata explicar o sexo e o amor, tendo consciência de que muito ainda é inexplicável.
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Nicéas Romeo Zanchett 



terça-feira, 30 de abril de 2013

CASAMENTO CELIBATÁRIO

CASAMENTO CELIBATÁRIO

O casamento celibatário é quele onde o casal, mesmo sentindo amor e atração, já não sente mais a necessidade de sexo. 
     Freud sempre considerou o homem como um animal sexual. Em seus livros, ele prega que o sexo é vital e que ninguém pode sobreviver sem ele. É evidente que essa afirmação é exagerada, pois o número de casais que vivem felizes e sem sexo é muito grande. 
     Do ponto de vista biológico, o casamento é uma necessidade para a reprodução da espécie. (Quando falo a palavra "casamento" estou me referindo à vida conjugal de um casal - homem e mulher-) . Por outro lado, a reprodução sexual trouxe consigo a necessidade evolutiva da morte. É a clássica renovação que se dá para que o idoso ceda  seu lugar a um jovem com capacidade para reproduzir.  Sem considerar as implicações metafísicas ou religiosas do tema, há clara visão das razões naturais da morte e a necessidade para unir os sexos e garantir a continuidade das especies.
      O seres unicelulares -não sexuados- que povoaram os mares primitivos da Terra não tinham necessidade de morrer. Morriam apenas por razões acidentais, como mudanças nas condições ambientais ou falta de alimento. Os parentes mais próximos desses seres, que ainda hoje sobrevivem, são as bactérias que, de certa forma, são virtualmente imortais, uma vez que nunca envelhecem. Já as células humanas saudáveis cultivadas em laboratório não apresentam a mesma vitalidade. Reproduzem-se algumas vezes e depois param e morrem.  A diferença está no fato de que a bactéria é sua própria célula reprodutiva. Ela não precisa de sexo para passar seu DNA às próximas gerações: basta realizar uma divisão celular para produzir outra bactéria, exatamente idêntica a ela. Entretanto os seres pluricelulares  que se reproduzem por meio do sexo como os humanos são um tanto mais complicados. Seus corpos são constituídos de trilhões de células, com especializações distintas, que compõem diferentes tecidos e órgãos. Toda essa complicada máquina está a serviço de umas poucas células especiais, chamadas germinativas - os óvulos e espermatozoides  que conjugados produzem uma nova vida, garantindo que o DNA seja transmitido adiante. 
        Na medida em que envelhecemos, a manutenção do corpo saudável torna-se cara, biologicamente falando. As células reprodutivas já cumpriram, ou pelo menos tiveram a chance de cumprir sua missão e não há mais sentido em se conservar e deixam de se renovar. As células velhas acabam morrendo, em um processo chamado "apoptose" - morte programada, uma espécie de suicídio celular. Aos poucos, o corpo como um todo vai envelhecendo e também morre. 
         Do ponto de vista afetivo tudo é mais simples e fácil de entender. Ao envelhecermos, os hormônios reprodutivos tendem a se acalmar. Há uma quietude natural que desvia as atenções para outros prazeres da vida. Tomemos como exemplo a mulher; o envelhecimento produz uma diminuição gradual da resposta sexual,  embora mulheres em idade avançada sejam capazes de ter orgasmos. Pouco antes da menopausa começa a lenta redução dos níveis de estrógeno, afinando os tecidos da vulva - que demora mais a ficar lubrificada para a penetração. Ao parar de menstruar, o nível da testosterona, hormônio responsável diretamente pelo desejo, reduz em cerca de dois terços.  O amor, antes forjado pelo intenso desejo, agora se torna fraternal, mas muito mais intenso. Nessas condições os parceiros podem tornarem-se celibatários e continuarem juntos e muito felizes. 
         Quando somos jovens nossos pensamentos estão sempre ocupados com a sexualidade. É natural porque estamos na fase reprodutiva. Nesse período da vida, um casamento de muito tédio e pouco sexo, transforma o leito conjugal num templo de monotonia.
         Pesquisas recentes, apontam o sexo - heterossexual ou homossexual - como a área de maior atrito entre os casais.  Mais de 90% das separações acontece porque não há mais entendimento na cama. As mulheres culpam os homens de as tratarem como objetos e esses se queixam da frieza de suas parceiras. Quando um casal - não interessa se homo ou heterossexual - tem relações, o que acontece na maioria das vezes é que cada um se preocupa com seu prazer sem pensar no parceiro. No fundo cada um considera que o outro lhe pertence. Trata aquela pessoa como se fosse sua propriedade e não quer dividi-la com ninguém.  Gera ciúme, irritação e brigas. Muitas delas extremamente violentas. 
          Depois do evento da pílula anticoncepcional, o sexo liberou os instintos individuais e passou a ser mais uma forma de lazer. Essa forma se transformou numa grande indústria sexual que envolve bilhões de dólares em todo o mundo. 
         Todos envelhecemos e, portanto, todos seremos celibatários. Alguns mais cedo, outros mais tarde. O foco das prioridades muda radicalmente e o sexo, que antes era prioridade,  entra para as estatísticas como um prazer eventual e muito mais movido pelo amor fraternal do que pelo sexual. O importante, para ser feliz, é saber aproveitar cada fase da vida. Manter a vitalidade durante toda a vida significa estar disposto a reavaliar constantemente seu modo de pensar sobre as coisas que fazem parte do seu dia-a-dia. E isto começa, por exemplo, desde o perfume e o sabonete que usa a seu casamento.  Implica em permanecer aberto a novas experiências, enfrentar novos desafios, preocupar-se mais em aprender do que em estar certo. Não importa se você está com 20, 50 ou 80 anos, a chave para pensar a vida está na flexibilidade. Manter-se envolvido e entusiasmado - em vez de deixar ser levado monotonamente ao sabor da correnteza; o caminho mais curto para embotar o cérebro é sepultar-se noite e dia em frente da TV. O que nos mantém jovens e atraentes à medida que vamos ficando mais velhos são os nossos interesses - ler, escrever, cozinhar, cuidar de plantas e animais, ficar às voltas com as crianças e qualquer outra atividade de que  se goste. 
        Até recentemente, os cientistas acreditavam  que as células do cérebro, ao contrário das outras do corpo, perdiam a capacidade de se regenerar - e milhares eram perdidas todos os dias. Isso significa que o cérebro, como o corpo, ia perdendo a eficiência com a idade. Estudos recentes realizados por especialistas em envelhecimento, provaram que as células do cérebro e os neurônios podem regenerar-se sim. Cérebros continuamente expostos  a um ambiente  rico em estímulos - companhia inteligente, novos desafios, novas idéias - tem um desempenho melhor até do que cérebros mais jovens. Mantendo-nos ativos e pensantes, podemos conseguir que nossos cérebros continuem brilhantes e jovens até o último dia de nossas vidas. 
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Nicéas Romeo Zanchett 
http://artesplasticasliteraturaefilosofia.blogspot.com.br