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domingo, 13 de abril de 2014

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ATRAÇÃO SEXUAL E SELEÇÃO NATURAL HUMANA 
Por Nicéas Romeo Zanchett 
               O sexo sempre dominou a cabeça das pessoas. É responsável pela nossa evolução de forma mais rápida que outros animais. A beleza física da mulher, sua coragem para recusar parceiros fracos, debilitados ou doentes, garantiu descendentes saudáveis e inteligentes que permitiram a aceleração evolutiva da espécie. A força física do homem da caverna era um atributo indispensável. Era grande caçador e defensor da família e por isso o preferido das mulheres.  Eles garantiam alimento e sua sobrevivência. A principal meta era engravidar o maior número possível de parceiras belas e saudáveis que pudessem aumentar a espécie humana. 

              Milhões de anos se passaram, os tempos são outros, mas o comportamento sexual humano traz em suas raízes os mesmos mecanismos psicológicos ancestrais. A herança evolutiva explica porque  sexo, dinheiro e poder continuam intimamente ligados. Mesmo após a conquista de direitos e liberdade sexual das mulheres, seus sonhos ainda se norteiam significativamente pelas velhas táticas. 
                  Muitas mulheres ainda preferem os homens fortes, altos e bonitões, mas estes atributos são facilmente substituídos por uma bela conta bancária que, para muitas, é prova de inteligência, sucesso e poder.  Oque se pode observar é que para elas o macho preferido é aquele que sabe usar a inteligência para ganhar dinheiro e galgar status na sociedade consumista em que vivemos. Mas a escolha de machos que preencham estes requisitos cria dificuldades para as mulheres; é que no mundo moderno a escassez de machos dentro dos quesitos ideais tornou a competitividade feminina uma árdua tarefa. Muitas mulheres tendem a ver suas amigas como inimigas concorrentes. 

                 A mulher moderna já não depende de um defensor e provedor da prole e tende a se preocupar, principalmente, com seu status e bem estar pessoal. Estas querem ter um filho, mais para a auto-realização de "ser mãe", que é um dos itens herdados dos ancestrais, do que para evolução das espécie.  Além disso muitas até ganham mais que os próprios maridos e só dependem dele para conseguir o sêmen que elas próprias escolhem. Já vemos mulheres selecionando as características como, altura, cor dos olhos, da pele, dos cabelos e naturalmente da inteligência que querem para seu filho. Isto pode parecer um absurdo, mas não é. Trata-se de uma nova forma para a evolução da espécie humana que somente as mulheres são capazes de garantir. A fertilização in vitro já é a forma escolhida por muitas. Mas, às vezes, é um tiro no escuro, pois existe muita falta de ética nesse meio e isto pode levar a erros irreparáveis. O ideal é que a mulher moderna conheça pessoalmente o futuro pai de seu filho; pode ser um amigo íntimo, um colega de trabalho, alguém que também deseja ser pai, mas não quer arcar com os compromissos de um casamento tradicional e aí por diante. Coisas do mundo moderno.

               Olhando para essa nova forma de evolução da espécie humana, nas classes mais elevadas, podemos concluir que trará benefícios. Com elas está o poder de mudar completamente a situação planetária de superpopulação e fome.  Mas quando olhamos para as classes ditas "inferiores" é um desastre. Muitas mulheres chegam a ter diversos e até dezenas de filhos e nem sabem quem é o pai de cada um. Aí está o problema central da superpopulação mundial. E o pior é que esta classe cresce de forma assustadora e sem que essas mulheres saibam controlar o número, o caráter e a qualidade dos filhos que estão gerando, geralmente indesejáveis e com problemas psicológicos. A desproporção é geometricamente apavorante.

                Os governos e religiões, em vez de orientar a formação familiar ordenada, só pensam nos ganhos políticos e financeiros que poderão ter com essa leva de pessoas que formarão um mundo de analfabetos e famintos. Não se trata de controlar a natalidade, mas de orientar, dar educação sexual de qualidade, sem usar metáforas e palavras enganosas. Aqui cabe lembrar que a mulher é mais vulnerável à conquista quando está em período fértil. Também os homens, mesmo sem saber, se sentem mais atraídos pelas mulheres nesses períodos. Daí a quantidade de gravidez indesejáveis que muitas vezes acabam em aborto. Educar é o único caminho. 


                    As mulheres solteiras e descompromissadas, gostam muito de falar sobre a anatomia íntima de seus parceiros. Essa troca de informação, muitas vezes propositalmente enganosa, é uma forma inconsciente de informar às outras quais os parceiros que valem a pena e quais devem ser evitados. Já as casadas não costumam elogiar os maridos para não instigar a concorrência. 
                    É muito natural que a força do passado primitivo ainda se imponha, pois a trajetória evolutiva da nossa espécie viveu muito tempo na era ancestral, dominados pelo instinto, e pouquíssimo tempo, talvez 1%, na era moderna do racionalismo. 
                  A estratégia feminina de impor resistência, fingida ou não, continua sendo transmitida de mãe para filha. Fazer-se de difícil para fisgar um bom partido é a ordem que continua prevalecendo. Muitas se entregam por uma simples "cesta básica", mas as mais cobiçadas requerem jantares especiais, flores, jóias, etc. 

                   O homem bem sucedido, poderoso, endinheirado gosta de ser visto rodeado por jovens bonitas e saudáveis. Mas não se enganem, é apenas um palco de encenação para despertar a inveja dos amigos; gosta de mostrar que é garanhão incorrigível, mas está está ali apenas como ator de uma cena das "mil e uma noites".   Da mesma forma, as mulheres gostam de estarem bonitas para serem vistas e invejadas pelas amigas; os homens são um componente à parte. Em ambos os casos não há porque censurar, é apenas mais uma forma da evolução da espécie. 


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sábado, 4 de maio de 2013

AMOR E BISSEXUALIDADE

AMOR E BISSEXUALIDADE 

                A finalidade do amor não é a procriação. Uma mulher pode ter muita tesão pelo marido e com ele chegar a múltiplos orgasmos, mas ao mesmo tempo ter um profundo sentimento de amor por uma amiga. O amor é algo muito especial e profundo, devendo sempre ser respeitado e compreendido. 
                O fenômeno erótico é antecessor da sexualidade. Ele é fruto da origem da vida que teve sua primeira forma unicelular. A sexualização é apenas uma das formas de dualização da vida. A união sexual é uma das maneiras de compensar a dualidade e de reconstituir a unidade. Esta análise nos leva a perceber que o amor não se confunde com a sexualidade e nem com o instinto de procriação. A atração dos sexos opostos é apenas uma das modalidade de algo bem mais amplo, uma forma de se liberar de toda a diferenciação, particularização e fragmentação, para reconstruir uma indistinção perdida ao longo de bilhões de anos.
                 Freud em sua última definição do ato sexual disse: "Uma agressão que busca a união mais íntima". Ele já considerava a bissexualidade como algo natural do homem quando disse: "Habituo-me a considerar todo o ato sexual como um acontecimento envolvendo quatro pessoas".  Também Jung identifica no psiquismo humano uma tendência a reconstruir um estado de coexistência do masculino e do feminino. Ambos apontavam o tema da bissexualidade como algo de caráter científico. De forma que temos  de pensar na bissexualidade pela perspectiva evolucionista. O homem se sente incompleto e busca no oposto sua forma original. Este é, portanto, um instinto físico e não amoroso. A sexualidade é separação e união, antagonismo e atração. Aí está todo o mistério da atração dos opostos. 
                Para compreendermos  melhor a bissexualidade devemos, necessariamente, voltar às primeira fase da vida embrionária. O embrião conhece a princípio um estado de indiferenciação sexual com um único órgão que lembra o ovotéstis. Ao assumir o sexo masculino ou feminino,este órgão desenvolve a parte central chamada medular ou sua zona periférica chamada cortical. A direção dada a esta diferenciação é feita sob controle dos hormônios. Durante todo o seu crescimento, o embrião desenvolve uns e não os outros, resultando nas formas sexuais masculina  ou femininas. Entretanto, mesmo ao final de sua formação e definição sexual, ficam as atrofias dos órgãos do sexo sacrificado. Esta admirável metamorfose do aparelho genital pouco-a-pouco se sexualiza desenvolvendo no homem uma espécie de botão (pênis) e na mulher um orifício (vagina). Assim podemos dizer que a mulher é o prolongamento do homem e vice-versa. 
                 A teoria dos hormônios dá uma base científica à hipótese de uma bissexualidade permanente, embora flutuante, da espécie humana. As secreções que asseguram a sexualização do embrião são as mesmas que determinam a do adulto. Todo o indivíduo segrega ao mesmo tempo hormônios masculinos e femininos. O que se pode dizer é que os machos produzem mais andrógenos do que estrógenos, mas esta proporção está  sujeita a variações. Além disso, a estrutura química dos hormônios é susceptível a mudanças. Mesmo no indivíduo adulto, os hormônios apresentam uma certa flutuação entre os sexos. É esta função reguladora dos hormônios que gera uma potencialidade sexual dupla e comprova, de maneira evidente, a bissexualidade do homem. Sabemos que os hormônios não apenas controlam o desenvolvimento e o comportamento fisiológico dos sexos, como também o comportamento psicológico. O psiquismo humano depende intimamente do equilíbrio hormonal. Uma simples injeção de hormônios femininos desenvolve glândulas mamárias e amor materno no homem. 
                Quando falamos da união entre homem e mulher nos vem logo a ideia de procriação, mas na maioria dos casos ela é evitada utilizando-se dos mais diversos meios contraceptivos hoje existentes. São incontáveis os casais que se unem sem o objetivo de fecundação. Seria um grave erro considerar estas uniões como desprovidas de sentido. Existem casos  - excepcionais - em que elas significam uma verdadeira fecundação espiritual que, neste caso, substitui plenamente a outra. Para compreender  e interpretar essas uniões devemos recorrer ao esquema biológico, a partir do esquema celular. Os hormônios são uma prova de que a união se realiza em níveis diferentes. Esta escala comporta virtualidades infinitas que vão desde a simples fecundação ovular à fecundação do coração, da imaginação e das fantasias da mente. Do cego apetite sexual à consciência da união edificante pelo amor. 
                 A descoberta dos hormônios justifica a interpretação do amor sexual. Estas secreções sustentam a hipótese de uma continuidade entre o físico e o moral, mas também entre o corpo e a alma, a matéria e o espírito. 
                A representação do sexo como um simples conflito entre campos de força masculina e feminina é a mesma da bipolaridade que, de certa forma, consiste na dualização de nossa natureza. 
                O amor é um fenômeno da indução e do magnetismo. Tanto o sexo como o amor não perdem seu mistério pelo fato de o analisarmos sob os olhos da química e da biologia; ao contrário, nos leva a meditar sobre a verdadeira noção deste mistério. O tabu das religiões tradicionais está, aos poucos, sendo substituído pela ideia do mistério que pode ser aproximado. A evolução procede às custas de um certo romantismo e a ciência procura seguir o caminho mais exemplar pata explicar o sexo e o amor, tendo consciência de que muito ainda é inexplicável.
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Nicéas Romeo Zanchett 



quarta-feira, 20 de abril de 2011

AMOR ENTRE AMIGAS





AMOR ENTRE AMIGAS

O amor entre mulheres deixou de ser um tabu que só viamos em filmes como "Instinto Selvagem", "Diário Roubado", "Quando a Noite Cai" e outros. Agora a união civil entre pessoas do mesmo sexo esta no Congresso.

Cada vez mais as mulheres com preferências por parceiras da mesmo sexo são vistas com naturalidade. Há canais liberadores da vida social que permitem a manifestação mais livre desta preferência amorosa. Vivemos num clima em que é preconceituoso ter preconceito. Entretanto, ainda existe muita pressão da sociedade contra as preferências homossexuais.

Os homens podem até admitir duas mulheres juntas, mas, quase sempre, há um ponto de vista machista. Acostumados a não dar muita importância aos sentimentos de suas parceiras, eles não levam a sério suas preferências amorosas.

Hoje a postura das mulheres que amam outras mulheres é bem diferente das gerações passadas. Já não há mais a necessidade de mostrar socialmente uma identificação com modos masculinos. A fêmea masculinizada, de sapatobaixo , bermudão e cabelo curto, não tem mais atrativo. Em resumo, a mulher não precisa mais de diferenciação para viver plenamente sua sexualidade preferida. Ao invés de tentarem se assemelhar aos homens, elas estão procurando uma imagem mais feminina. Há mulheres bissexuais, superfemininas, que vivem uma vida dupla e ninguém desconfia.

As relações entre os diferentes sexos está confusa porque ainda não se estabeleceram, como devem ser, dentro do modelo familiar. Por maior que sejam os esforços, as histórias de amor entre mulheres ainda encontram dificuldades para aceitação da família e isto cria um desnecessário sofrimento.

A mídia gosta muito de criar clichês, mas no cinema e na TV, as relações amistosas de duas mulheres é fator de sucesso em qualquer drama. A série "I Love Lucy" agradou milhões de telespectadores em mais de 80 países. A série "Miss Marple" fez grande sucesso mostrando as peripécias da heroína e suas amigas do sexo feminino.

Muitas mulheres, casadas e com filhos, de repente descobrem uma paixão pela amiga. Na verdade sempre tiveram atração pelo mesmo sexo, mas nunca haviam se permitido manifestá-la. Era uma preferência sufocada de uma mulher que teve maior resistência interna em aceitar a própria sexualidade. Para elas o interesse do sexo é o goso do amor e da harmonia. Há muitas relações quase platônicas no universo feminino, onde o que conta mesmo é a companhia, a atenção e a presença.

Os adolescentes atuais, embora tenham conflitos com os pais, têm menos problemas para definir uma identidade sexual. Entretanto, a busca da família pela psicanálise costuma ser pela "cura", mas os terapeutas trabalham pela definição da identidade sexual do adolescente.

Dificuilmente um homem, heterosexual de meiaidade, que estivesse carente, procuraria outro homem. Já as mulheres convivem melhor com a ambigüidade, transitam por relações amorosas com muito mais facilidade.

Para a maioria das mulheres, ainda é difícil revelar publicamente sua homossexualidade ou bissexualidade. Há muito medo de ser segregada pela família ou até de perder o emprego. O maior conflito das mulheres é o da auto-imagem social. A maioria simplesmente finge que vive bem com o marido para iludir e superar os preconceitos sociais. Muitas assumem sua condição bissexual imaginando com isso livrar-se do estigma, mas, mesmo velado, ele continuará presente. O preconceito é o que mais causa angústia no momento de assumir sua própria sexualidade.

O que é realmente importante na vida é a felicidade. Podemos ser felizes ou apenas estarmos felizes e o amor é sempre o ingrediente mais importante. Ser feliz é viver um estado de felicidade fazendo aquilo que lhe permite prazer e bem estar. Estár feliz é viver um momento de felicidade: uma nova paixão, um novo carro, uma casa confortável, uma viagem agradável, o nascimento de um filho, um noivado, um casamento e assim por diante. Mas, em todas essas situações, o amor sempre está presente de alguma forma. Entretanto, a felicidade nunca é plena e perene; precisa constantemente ser ronovada.

Portanto, vá em frente e viva suas verdadeiras paixões sem se preocupar com a opinião dos outros.

Nicéas Romeo Zanchett




sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

AMOR E BISSEXUALIDADE

Ilustração: Romeo Zanchett

AMOR E BISSEXUALIDADE
A finalidade do amor não é a procriação. Uma mulher pode ter muita tesão pelo marido e com ele chegar a múltiplos orgasmos, mas ao mesmo tempo ter um profundo sentimento de amor por uma amiga. O amor é algo muito especial e sublime, devendo sempre ser respeitado e compreendido.
O fenômeno erótico é antecessor da sexualidade. Ele é fruto da origem da vida que teve sua primeira forma unicelular. A sexualização é apenas uma das formas de dualização da vida. A união sexual é uma das maneiras de compensar a dualidade e de reconstruir a unidade. Esta análise nos leva a perceber que o amor não se confunde com sexualidade nem com o instinto de procriação.
A atração dos sexos opostos é apenas uma das modalidades de algo bem mais amplo, uma forma de se libertar de toda a diferenciação, particularização e fragmentação, para reconstruir uma indistinção perdida ao longo de bilhões de anos.
Freud em sua última definição do ato sexual dise: "Uma agreção que busca a união mais íntima." Ele já considerava a bissexualidade essencial do homem quando disse: "Habituo-me a considerar todo ato sexual como um acontecimento envolvendo quatro pessoas". Também Jung identifica no psiquismo humano uma tendência a reconstruir um estado de coexistência do masculino e do feminino. Ambos apontavam o tema da bissexualidade como algo de caráter científico. De forma que temos de pensar na bissexualidade pela perpectiva avolucionista. O homem se sente incompleto e busca no oposto sua forma original. Ele é, portanto, um instinto físico e não amoroso. A sexualidade é a separação e união, antagonismo e atração. Aí estátodo o mistério da atração dos opostos.
Para compreendermos melhor a bissexualidade devemos, necessariamente, voltar às primeiras fases da vida embrionária. O embrião conhece a princípio um estado de indiferenciação sexual com um único órgão que lembra o ovotéstis. Ao assumir o sexo masculino ou feminino, este órgão desenvolve a parte central chamada medular ou sua zona periférica chamada cortical. A direção dada a esta diferenciação é feita sob o controle dos hormônios. Durante todo seu crescimento, o embrião desenvolve uns e não os outros, resultando nas formas sexuais masculinos ou femininos. Entretanto, mesmo ao final de sua formação e definição sexual ficam as atrofias dos órgãos do sexo sacrificado. Esta admirável metamorfose do aparelho genital pouco a pouco se sexualiza, desenvolvendo no homem uma espécie de botão (pênis) e na mulher um orifício (vagina). Assim podemos dizer que a mulher é o prolongamento do homem e vice-versa.
A teoria dos hormônios, dá uma base científica à hipótese de uma bissexualidade permanente, embora flutuante, da espécie humana. As secreções que asseguram a sexualização do embrião são as mesmas que determinam a do adulto. Todo o indivíduo segrega ao mesmo tempo hormônios masculinos e femininos. O que se pode dizer é que os machos produzem mais andrógenos do que estrógenos, mas esta proporção está sujeita a variações. Além disso a estrutura química dos hormônios é susceptível a mudanças. Mesmo no indivíduo adulto, os hormônios apresentam uma certa flutuação entre os sexos. É esta função reguladora dos hormônios que gera uma potencialidade sexual dupla e comprova, de maneira evidente, a bissexualidade do homem. Sabemos que os hormônios não apenas controlam o desenvolvimento e o comportamento fisiológico dos sexos, como também o comportamento psicológico.
O psiquismo humano depende intimamente da oscilação do equilibrio hormonal. Uma simples injeção de hormônios femininos desenvolve glândulas mamárias e amor materno no homem.
Quando falamos da união entre homem e mulher nos vem logo a idéia de procriação, mas na maioria dos casos ela é evitada utilizando-se dos mais diversos meios contraceptivos hoje existentes. São incontáveis os casais que se unem sem objetivo de fecundação. Seria um grave êrro considerar estas uniões como desprovidas de sentido. Existem casos "exepcionais" em que elas significam uma verdadeira fecundação espiritual que, neste caso, substitui plenamente a outra. Para compreender e interpretar essas uniões devemos recorrer ao esquema biológico a partir do esquema celular. Os hormônios são uma prova de que a união se realiza em níveis diferentes. Esta escala comporta virtualidade infinitas que vão desde a simples fecundação ovular à fecundação do coração, da imaginação e das fantasias da mente. Do cego apetite sexual à consciência da união unificante pelo simples amor.
A descoberta dos hormônios justifica a interpretação do amor sexual. Estas secreções sustentam a hipótese de uma continuidade entre o físico e o moral, mas também entre o corpo e a alma, a matéria e o espírito.
A representação do sexo como resultado de um simples conflito entre os campos de força masculina e feminina é a mesma da bipolaridade que, de certa forma, conciste na dualização de nossa natureza.
O amor é um fenômeno da indução e do magnetismo. Tanto o sexo como o amor não perdem seu mistério pelo fato de o analisarmos sob os olhos da química e da biologia. Ao contrário nos leva a meditar sobre a verdadeira noção deste mistério. O tabú das religiões tradicionais está, aos poucos, sendo substituido pela idéia do mistério que pode ser aproximado. A evolução procede às custas de um certo racionalismo e a ciência procura seguir o caminho mais exemplar para explicar o sexo e o amor, tendo consciência de que muito ainda é inexplicável.
Nicéas Romeo Zanchett
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