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domingo, 18 de novembro de 2012

A VIDA SEXUAL DO CADEIRANTE

                     A VIDA SEXUAL DO CADEIRANTE
Falar da vida sexual de pessoas com deficiência física, em muitos sentidos, ainda é um grande tabu. Mas ultimamente o tema tem sido  muito discutido na sociedade e por especialistas.
A pessoa com deficiência física precisa reaprender a ativar sua sexualidade que ficou adormecida, mas que está em algum lugar esperando para ser descoberta.
Não existe uma forma única para orientação no sentido de reencontrar a satisfação sexual e isto deve ser trabalhado individualmente. Cada pessoa tem sua própria forma de pensar o sexo e quando, por algum motivo, tem sua vida sexual interrompida precisa redescobrir o prazer que sentia.
A palavra recomeçar pode ser o marco inicial para, a partir daí, descobrir sua própria sensibilidade erótica. A pele é nosso maior órgão sexual e se houve perda de sensibilidade em certos pontos é preciso encontrar outras formas para estimular o cérebro. A melhor maneira para se descobrir uma zona erógena é exercitando, buscando a sensibilidade possível nos mais variados pontos do corpo.
Cada deficiência física implica em variações de possibilidades e percepções do próprio corpo e também do parceiro. O sexo pode ser satisfatório se existir vontade e delicadeza de ambas as partes. A pessoa com deficiência pode, sem rodeios, conduzir o parceiro para as posições possíveis e mais agradáveis. De modo geral as posições mais confortáveis para o cadeirante são aquelas em que fica por baixo, de lado e também com as pernas abertas e barriga para cima. Se a deficiência já não permite mexer a cintura, uma boa solução é um travesseiro embaixo do quaril. O conforto e a sensibilidade devem dosar a relação. Quanto mais confortável estiverem,  melhores serão as chances de satisfação para ambos. Antes de iniciar a excitação é importante que o deficiente se sinta bem e seguro. Para tanto não devem ser esquecidos alguns cuidados básicos como: esvasiar a bexiga e estar com o intestino limpo. Isso evitará que aconteçam acidentes desagradáveis.

Muitos imaginam que um deficiente só pode manter relação com quem também tenha deficiência porque assim haverá melhor entendimento, mas isto não é necessariamente verdadeiro.  É muito importante que a outra pessoa tenha conhecimento básico sobre sua deficiência e como agora funciona seu corpo. Isso ajudará evitar constrangimentos e até possíveis danos a algum membro sem sensibilidade. Antes da relação devem falar abertamente do que gostam e como gostam que faça. A troca dessas informações pode garantir o sucesso ou o fracaso na hora do ato.
Uma relação com pessoa deficiente requer uma ação mais longa de cuidados, carinhos e preliminares.  Como sempre falei, sexo não é apenas penetração, mas sim um conjunto de possibilidades que podem levar ambos ao pleno prazer. Massagens com óleos perfumados, talcos e outros produtos especiais,  com toques localizados, podem despertar a satisfação e prazer por outras janelas sensoriais (visão olfato, audição, tato, paladar, podem potencializar o prazer para ambos).
É comum a pessoa sem deficiência física ficar perdida e com medo de machucar seu parceiro deficiente. Quem não tem deficiência, na prática, fica mais fácil conduzir a relação com o deficiente, desde que o conheça bem e saiba suas limitações e medos. 

Recomeçar a vida sexual apos um acidente é sempre difícil, mesmo para quem não perdeu a maior parte dos movimentos. Poucas pessoas sabem o básico sobre a sexualidade dos lesados. Os deficientes que tiveram lesão medular, por exemplo, que resulta na diminuição de sensibilidade genital, pode ter sua sexualidade dirigida para outras áreas do corpo e obter grande  prazer. O cérebro é um importante aliado. Ele continua sendo estimulado, muitas vezes em sonhos eróticos. Isto quer dizer que sua capacidade de sentir excitação continua como antes. O parceiro do deficiente precisa ser orientado para esta percepção e assim, juntos, conseguirão tirar o maior prazer de áreas do corpo que muitas vezes ficam esquecidas.
Na relação sexual de um cadeirante com outro com as mesmas deficiências, não dá para inventar muito, mas mesmo assim tudo pode ser maravilhoso. Basta que ambos entendam e aceitem suas proprias limitações, e assim, a potência sexual fluirá naturalmente.
Uma pessoa com paralisia cerebral pode ter as mesmas habilidades e sensibilidades que outra pessoa sem a lesão. 
Com todos os cuidados necessários, qualquer pessoa deficiente pode ter uma vida sexual ativa e prazerosa. Basta que nunca desista de buscar qualquer possibilidade de uma vida totalmente integrada.
Nicéas Romeo Zanchett
http://gotasdeculturauniversal.blogspot.com.br

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