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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

COISAS QUE OS HOMENS ODEIAM - Por Nicéas R. Zanchett


COISAS QUE OS HOMENS ODEIAM 
Por Nicéas Romeo Zanchett 
Esta é apenas uma pequena lista das coisas que os homens odeiam nas mulheres. 
 Mulheres vulgares; 
Beijar mulher com lábios pintados; 
Pele ressecada; 
Mulher com cheiro de cigarro; 
Mulher que pede o carro emprestado;
Sempre ter que ouvir o que a mulher pensa; 
Ter que lavar a louça;

Mulher que não tem vergonha de contar o que faz na cama;
Mulher que dá telefonema de forma desconfiada; 
Mulher que usa seu barbeador predileto; 
Mulher com complexo de superioridade; 
Ter sempre de transar enlouquecidamente para agradá-la;
Aquela que transa com os seus amigos; 
Mulher que gosta de mimá-lo em público; 
A que quer compromisso sem sexo; 
Quando está usando máscara de beleza; 

Quando ela usa meias difíceis de tirar na hora H; 
Mulher com excesso de humor; 
A que é muito difícil de conquistar; 
Mulher que vive de dieta;
Mulher com músculos de halterofilista; 

Mulher que sempre quer discutir a relação; 
Jantar num restaurante de comidas light que tem preços atos; 
 Aquela que não sabe parar de beber; 
Mulher que se acha super especial; 
Mulher que costuma dar chilique ou histeria; 
Mulher que sempre está ocupada na hora do telefonema; 
.
Existem outras coisas que talvez eu tenha esquecido. 
Nicéas Romeo Zanchett 
http://expressoespoeticasuniversais.blogspot.com.br 







A ARTE E O PRAZER - Por Nicéas Romeo Zanchett


A ARTE E O PRAZER 
Por Nicéas Romeo Zanchett
              As artes são, por excelência, ciências de luxo. 
              O primeiro objetivo da arte é o prazer. O prazer que o artista sente ao produzir sua obra e o prazer de quem a vê. 
              É difícil explicar o prazer que sentimos diante das criações de um grande artista. Podemos gozar da obra de arte sem possuí-la. Este sentimento não tem nada de comum com o gozo dos bens pessoais e nem com o amor próprio que todos temos. 
               Quando a obra de arte se transforma em mito, eterniza seu criador. 
               Ao vermos a arte de um grande artista, sentimos o puro prazer estético, sem nenhuma cobiça ou ideia de posse. Este é talvez o mais nobre dos sentimentos que podemos experimentar. 
               O verdadeiro artista vê a vida e o mundo de uma maneira diferente. Sua forma de expressar os sentimentos,sonhos e entendimentos podem até colidir com os de outras pessoas que não conseguem entendê-lo. 
                Quando apreciamos uma obra de arte entregamo-nos, e entramos no mundo do seu criador em perfeita comunhão com todos os que a admiram. É um momento de puro amor, sem nenhum sentimento de ciumes ou egoísmos. 
                A verdadeira obra de arte é um bem público, que não pertence a ninguém e, ao mesmo tempo, pertence a todos que a vêem. 
Nicéas Romeo Zanchett 
http://romeozanchett-desenhos.blogspot.com.br 

A MILENAR ARTE ERÓTICA INDIANA- Por Nicéas Romeo Zanchett


A MILENAR ARTE ERÓTICA INDIANA
O YOGA DO SEXO 
            Mistério, fascínio e misticismo. 
            A história da Índia começa com Alexandre Magno, no ano 326 a.C., entretanto, antes dele existir, já havia uma civilização tri-milenar avançadíssima chamada Proto-História, que os especialistas vem pacientemente reconstruindo. 
             A Índia moderna que conhecemos se divide em duas fases: a de denominação inglesa e a Índia independente que se iniciou em 1948, quando Nehru assumiu a presidência do país. 
              Em Ellora estão algumas das grutas mais bonitas do mundo, transformadas em colossais santuários. São 34  grutas sendo 12 Budistas e 22 Bramânicas. Ali existe também um impressionante templo dedicado a Shiva. 
Shiva 
                A Índia é um verdadeiro Museu de Arte Milenar. 
                Em Khajuraho se encontram os famosos templos com estátuas representando o amor sexual.
Porque foram construídos é um mistério que perdura ao longo de séculos. Ainda hoje, nossa cultura ocidental não consegue entender a sexualidade ali representada em esculturas tão exóticas que a princípio eram vistas como pornográficas. Felizmente, na media em que os mistérios vão sendo desvendados, vamos compreendendo e podemos finalmente perceber que a pornografia estava apenas nos olhos de quem as via. 
             Apesar da destruição promovida pelos invasores, ainda hoje existem 22 templos dedicados ao amor. 
             O Yoga sexual ou Maithuna é um tema frequente nas esculturas Hindus. As figuras maithuna não podem ser vistas como orgias rituais; na verdade, representam a eterna união do espírito com a natureza. A sexualidade é espiritualizada, onde homem e mulher se complementam mutuamente. O amor sexual é uma forma de adoração, onde os parceiros representam, um para o outro, a reencarnação da divindade. Meditar sobre o assunto nos leva a perceber que somos seres em correlação e não em separação. O amor físico implica na verdadeira descoberta do parceiro. 

               A união entre homem e mulher é o casamento entre o céu e a terra. A energia sexual do casal  manifesta-se como energia espiritual, com o poder divino de procriar. 
               A semente unida à terra fecunda o campo, assim como o sêmen unido ao óvulo fecunda o ventre e produz o milagre de uma nova vida. 
Nicéas Romeo Zanchett 
http://templosdoamor-romeozanchett.arteblog.com.br 
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sábado, 14 de setembro de 2013

A NUDEZ NAS ARTES E NAS RELIGIÕES


A NUDEZ NAS ARTES E NAS RELIGIÕES 
Por Nicéas Romeo Zanchett 
              Muito se tem discutido sobre a nudez. Pode ser arte, protesto, publicidade e até informações religiosas.  A nudez é linda, mas se torna ruim com sua banalização na mídia, principalmente a publicitária. O nu feminino é vendido como se fosse produto de feira. 
              O nu artístico também foi muito explorado pela Igreja Cristã, principalmente na época do Renascimento. Praticamente todos conhecem alguma obra de pintores como Rubens, Miguel Ângelo, Botticelli, Correggio, Ingres, Ticiano, Cranach - com Adão e Eva - , além de mutos outros.  
Mas, para quem pensa que naquela época não havia censura, é bom saber que muitas obras primas foram julgadas e destruídas. Quem não viu falar da inquisição? 
Correggio
Cranach
Botticelli 

                  Para Adão e Eva, tomar consciência da própria nudez foi um ato de punição. A Bíblia usa de metáforas para falar sobre o assunto. Ao dar uma "mordida no fruto proibido" eles logo sentiram vergonha, fraqueza e derrota diante de si próprios e de Deus. Apesar da ligação estreita com a vergonha e fraqueza, não se pode dizer que essas sempre tenham sido as consequências dos corpos despidos. Ao longo da história humana, em diversos contextos, a nudez do corpo também já expressou medo, orgulho e prazer. 
No épico "Odisseia", o grego Homero descreve o náufrago Ulisses em apuros diante do nu da princesa Nausícaa e, no final, gostou muito do que viu. 
                  Sigmund Freud, pai da psicanálise, em seu esforço para desvendar o inconsciente humano, disse que o sonho de estar nu em público é comum a todos os homens. 
                  A verdade é que, em nossos dias, a nudez está em toda a parte. Ela é vista em novela de TV, no teatro, nos filmes, na publicidade, na literatura e na palheta dos artistas. Mesmo assim muitos artistas cênicos - atrizes e atoes - se dizem constrangidos em tirar a roupa. Muitos até se arrependem amargamente por cenas de nudez que fizeram. Quando uma cena de sexo é mal feita fica pornográfica, e quem está nu é muito mais exposto. Muitos artistas cênicos se reservam, por contrato, no direito de veto das cenas que consideram inapropriadas, mas isto também é uma forma de censura. 
                  Na segunda metade do século XX a nudez aparece como forma de protesto social com os movimentos hippie e beatnik. Já nos anos 80, envolvendo pessoas nuas, surgem os protestos sociais de ONGS  e entidades humanitárias. Todos os anos, nos Estados Unidos e Europa, mais de 100 calendários beneficentes com pessoas nuas são lançados à venda. Os motivos alegados são os mais diversos.  Entre eles podemos citar ajuda a desabrigados e menores carentes; combate ao câncer; proteção à fauna e à flora e ai por diante. 

                 Ficou bastante conhecida a foto de John Lennon e Yoko, em campanha pelo vegetarianismo, os dois aparecem nus na capa do disco.

                 No início dos anos 90 um grupo de feministas americanas, lideradas por Andrea Dworkin e Catherine McKinnon, conseguiram a aprovação de uma lei no estado de Indiana, banindo todo o tipo de material  que mostrasse a sua alegada "subordinação gráfica e sexualmente explícita de mulheres, em palavras ou imagens". A lei foi contestada na Suprema Corte americana, que declarou inconstitucional, por ferir o direito básico de liberdade de expressão. 
                 A história da arte universal sempre foi pautada por polêmicas dessa natureza. Obras primas foram objeto de censura em diferentes épocas. Quando Miguel Ângelo estava finalizando as pinturas da Capela Cistina, um dos assessores do papa Paulo III advertiu Sua santidade de que as imagens do Juízo Final aram mais adequadas a uma taverna do que a uma capela. Em 1558, véus e folhas de parreira foram acrescentados a elas. Recentemente essas indevidas intervenções foram retiradas por habilidosos restauradores e a originalidade do célebre artista venceu o preconceito. 


                   Também a Vênus de Milo, considerada a ideal da beleza feminina da antiga Grécia, foi "condenada" como imoral num tribunal alemão. Isto se deu em meados do século XIX.

                 Absurdos como esses continuam acontecendo em nossos dias. É o caso recente do primeiro-ministro italiano Berlusconi, que mandou encobrir o seio de uma figura alegórica, pintada por Giovani Battista Tieplo do século XVIII, que adornava sua sala. Felizmente, o bom senso prevaleceu e a reprodução também foi restaurada. 

                  Sempre que alguém quer censurar uma obra de nudez apela para o argumento de diferenciar o "nu artístico" do "nu vulgar". A esse respeito assim se manisfestou o famoso crítico inglês Kennet Clark: "Se um nu deixa de despertar no espectador um vestígio de sentimento erótico, por menor que seja, ele não é apenas ruim como falsa moral".  Também a crítica americana Camile  Paglia afirmou que a grande arte não se mistura apenas ao erotismo, mas, em certas ocasiões, também à pornografia. Isto acontece sempre que o artista tem coragem de mostrar as forças extrema do instinto e da sexualidade atuando por baixo das convenções sociais. 
Escola de Belas Artes

Artista no atelier 

Salvador Dali 

                 A arte é a linguagem universal das imagens. Nos somos seres humanos, possivelmente civilizados, mas em nós habita o ser instintivo e ancestral de todos os viventes da terra. 
Nicéas Romeo Zanchett 
http://artesplasticasliteraturaefilosofia.blogspot.com.br 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

DINHEIRO AMOR E SOLIDÃO

AMOR DINHEIRO E SOLIDÃO 
Por Nicéas Romeo Zanchett

               O único motivo que justifica  a união de duas pessoas é o amor. Para manter essa união é necessário, antes de tudo, muita sinceridade, cumplicidade e compreensão. É preciso viver o dia a dia  com mútuo interesse de se conhecer melhor e expandir as inúmeras possibilidades do corpo e da alma.
               Quando se inicia um relacionamento amoroso, é preciso ter em mente de que nada é eterno, mas pode durar prazeirosamente uma vida. 
               Qualquer relação amorosa que seja condicionada e rotineira leva, inevitavelmente, ao desinteresse sexual. Com a passagem do tempo, outros interesses surgem e é natural que a tesão se arrefeça ou até acabe.  Mas o amor é uma chama que precisa ser mantida, pois do contrário o melhor é apagar e partir para outro relacionamento. 
               O ser humano encontrou na união conjugal uma maneira para sentir-se amparado. Muitas vezes essa união é levada de forma robotizada, sem emoção e apenas para manter um casamento falido. O medo da solidão é tanto que as pessoas abrem mão de tudo e vão fazendo inúmeras concessões para manter uma relação estável e fria. Justificam a falta de amor e tesão com frases tipo "casamento é isso mesmo". 
                 A quantidade de relacionamentos infelizes que continuam sendo sustentados pelos casais por puro medo ou falta de saída é enorme. Muitos são os que vivem relações péssimas e acham que é normal. 
                 O dinheiro tem sido um grande ditador de relacionamentos. A maneira de dar, receber, gastar ou acumular o vil metal revela frustrações emocionais que se arrastam da infância por toda a vida. Não são poucas as vezes que pessoas com muito dinheiro, não conseguem  gastar consigo mesmas e saem à procura de alguém para suprir sua carência afetiva e emocional. É sempre um tiro no escuro, pois geralmente se ligam a alguém que nada lhe dará em troca. Mesmo com toda a generosidade acabam sendo frustradas e sentido-se indignas de amor. 
                  Comprar a felicidade não é uma forma saudável de se relacionar. São situações mal resolvidas que acabam por tornar a pessoa em sovina e incapaz de dar afeto para alguém ou para si mesma. São muito comuns os casos de mulheres ricas, com baixa estima, envolvidas com homens financeiramente falidos. O dinheiro é usado para esconder um profundo drama afetivo que muitas vezes  tem origem na infância e na forma como seus pais  lidavam com as questões monetárias. 
                  O importante é descobrir a tempo que dinheiro não é amor. Pode trazer conforto e até algum prazer, mas a verdadeira felicidade se conquista com saúde psíquica e não com uma polpuda conta bancária. A verdade é que o dinheiro nunca é capaz de substituir o afeto. Ele seduz porque alimenta a ilusão de suprir as faltas e as necessidades emocionais, de sentir-e  salvo de contratempos da vida e de ser possível comprar a própria auto-estima. Relacionamentos onde o dinheiro define tudo é uma forma de transformar as pessoas em objeto sem valor , ou simplesmente para provar seu poder sobre elas. 
                   Estamos vivendo num mundo em que a estética material prevalece não apenas sobre o amor, mas também sobre a amizade, a solidadriedade, o afeto e as emoções espontâneas. Muitos precisam de todo o dinheiro do mundo para sentirem-se realizados. isto expõe o verdadeiro sintoma da melancolia que tenta cobrir o gigantesco vazio  afetivo do ganancioso. É importante observar que pessoas assim se transformam em prósperos empresários, mas nunca deixam de ser maníacos-melancólicos, que fazem da falta de um afeto uma permanente compulsão por dinheiro. E só assim conseguem encontrar a segurança para sua fragilidade  emocional. 
Nicéas Romeo Zanchett

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domingo, 8 de setembro de 2013

FALANDO DE SEXO COM AS CRIANÇAS



FALANDO DE SEXO COM AS CRIANÇAS 
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                  Já vai longe o ideal educativo do resguardo da "pureza" e da "inocência" da criança diante daquilo que era maliciosamente tratado pelos pais como segredos da vida. A psicologia moderna considera como desejável um "acerto" de noções que ela deve ter sobre a sexualidade humana. 
                  Antes de tudo é bom ficar claro que que os pais devem sempre ter uma resposta pronta para quando o filho lhe fizer uma pergunta "embaraçosa". É preciso ter a consciência de que educar não é esconder a verdade e os pais devem aprender  para saber ensinar. Se sua resposta não for convincente, seu filho, um dia irá buscá-la na rua, e certamente aprenderá de forma errada.
                 Para os pais, muitas vezes, torna-se difícil responder às perguntas da criança a respeito de assuntos diversos como AIDS, estupro, violência sexual, sexo, nascimento, morte, etc. O mais importante é que não fiquem preocupados em dar respostas absolutamente certas, mas sim significativas. A criança que pergunta só quer tirar alguma dúvida, mas não está interessada em detalhes. 
                O futuro das crianças de hoje exige que elas sejam muito mais do que apenas  seguras e ajustadas. É com diálogo sincero que se pode ajudar os filhos aprenderem o verdadeiro sentido da vida. 
                Muitos pais ainda pensam que educação sexual é aquela "conversinha" que obrigatoriamente, algum dia, terá com o filho ou a filha adolescente. Acham que o importante é alertar os meninos para os perigos das doenças sexualmente  transmissíveis e as meninas sobre os riscos de uma gravidez indesejada. A verdadeira educação sexual começa muito mais cedo, na verdade, com as atitudes dos pais em relação à sua própria sexualidade.  Quaisquer que sejam os sentimentos em relação ao seu próprio corpo e ao do companheiro, podem ser  percebidos pela criança. Uma simples conversa sobre reprodução de plantas ou animais; as conversas e atitudes com os amigos; a maneira como encaram suas trocas e relações, serão transmitidas naturalmente às crianças. 
                 É preciso levar em conta que desde cedo existe uma forma de sexualidade em seu bebê, que pode ser no simples ato da amamentação. Entretanto, embora diferente do adulto, o prazer que a criança está preparada para sentir em todo o seu corpo, desde o nascimento, é de natureza sexual. 
                 Durante os primeiros meses de vida, é através da boca  que a criança estabelece os seus contatos com o mundo. O seio da mãe não é somente sua fonte de alimento, mas também de alegria e bem estar. 
                 Um garoto de três anos que observa a mãe enquanto toma banho ou banha a nova irmãzinha, presta atenção em todas as suas atitudes. Ele observa, também, que "naquele lugar" a irmãzinha não tem nada; fica logo imaginando que deve haver algum problema. Se ele fizer uma pergunta e a mãe silenciosamente ignorar, a dúvida ficará "martelando" na sua cabecinha. Este pode ser um ótimo momento para iniciar os esclarecimentos sobre a sexualidade humana. Ela tem direito de saber, por exemplo, o nome dos órgãos genitais de ambos os sexos. Uma criança nunca poderá vir a entender o mecanismo da reprodução se,de início, não lhe for possível nomear os órgãos que exercem esta função. É sempre importante escolher nomes que não sejam complicados e nem pejorativos. Ex.: pipi, saquinho, a conchinha da irmãzinha, etc. Se a mãe tiver alguma dúvida sobre os nomes que costumam ser usados na sua região, procure saber como os filhinhos de seus amigos os chamam. 
                  Toda a criança tem necessidade de sentir-se amada, e esta carência  precisa ser satisfeita com amor, carinho e elogios. Caso isso não aconteça ela pensará  que exite algo em si que não merce amor. 
                  A educação sexual de toda a criança, também passa pela auto-exploração do próprio corpo. Para que seus órgãos sexuais não lhes sejam estranhos durante  toda a vida, é preciso que ela toque neles. Se não o fizer, toda a sua evolução poderá ser prejudicada, pois o que não pode tocar ela também não poderá compreender. Se for deixada à vontade em suas investigações, o bebê, à medida que cresce, vai descobrindo no toque de seus órgãos sexuais, uma espécie de brinquedo agradável e tranquilizador. Esta fase, definida como onanismo ou auto-erotismo, voltará a surgir na adolescência, aí com características  nitidamente genitais. Se os pais impedem ou castigam a criança que se auto-erotiza, ela passará a experimentar este prazer como algo proibido. No entanto, é preciso observar que, se a criança faz isso com muita frequência, pode ser porque está se sentindo negligenciada ou sem companhia. 
                  O treino para a higiene é uma das fazes mais difíceis, tanto para a mãe quanto para a criança. Um treino errado dos hábitos higiênicos pode levar uma criança a pensar que tudo o que "fica lá em baixo" é ruim e não se deve fazer. A ideia de que o que é sujo é sempre mau e o que é limpo é sempre bom, pode levar a valorizações errôneas da própria pessoa ou de seus sentimentos. Se ela é forçada à higiene com grande rigor e castigos, pode comprometer sua capacidade de se expandir mais tarde. Muitas vezes a dificuldade de uma mulher para o orgasmo está relacionada com esta fase. Também podem vir a ser adultos sexualmente violento ou inseguros. Esta é uma fase muito sensível da formação da consciência cerebral. 
                   Um passo importante no esclarecimento sexual é apontar a diferença entre os sexos. A principal curiosidade das crianças é saber por que o menino tem "pipi" e a menina não. A mãe pode simplesmente dizer que as meninas são diferentes,que tem apenas uma "conchinha" para fazer xixi e quando elas crescem vão ter seios como os da mamãe, que servirão para alimentar seus filhinhos. Já os meninos, quando crescem, serão homens fortes e amorosos para cuidar de toda a família. 
                  A velha pergunta "de onde vem os bebês?" deve sempre ser respondida com honestidade em qualquer idade. Uma boa oportunidade é quando a mãe está esperando um novo bebê. Entretanto, muitas vezes a criança não nota as transformações físicas da gravidez, nesse caso a mãe poderá chamar sua atenção para o fato, a partir do momento em que o feto começar se mexer,dizendo, por exemplo: "mamãe está esperando um irmãozinho para você; ele será seu amiguinho e juntos irão brincar muito" - e permitindo que a criança ponha a mão ou a cabeça em sua barriga para sentir os movimentos. A partir de então a criança terá sua curiosidade aguçada e irá fazer muitas perguntas que a mãe deverá estar preparada para responder. Mas isso se dará de forma lenta e a mãe terá oportunidade de "preparar a cabecinha da criança" para a chegada do novo bebê. Comece dizendo, por exemplo: "quando seu irmãozinho chegar você poderá ajudar a mamãe cuidar dele". Isso irá despertar amor e expectativa que a ajudarão responder às muitas perguntas. A criança precisa estar preparada para um fato que poderá transformar profundamente a sua vida. As perguntas são imprevisíveis e dependem da idade, desenvolvimento e sentimento dela. Uma dúvida muito comum entre elas é "por que só as mães podem ter bebê?". Procure dar respostas simples e sem detalhes como, por exemplo: "as mães são diferentes e tem barriga que pode caber bebês", você também  já esteve dentro da minha barriga e papai e eu ficamos esperando você nascer"; "os bebês são pequeninos e precisam ficar na barriga por algum tempo até crescer um pouco e ficar mais fortes". Nesta fase da vida o interesse da criança abrange apenas "o que e o como?". Mas, em qualquer idade, é importante que a ideia das relações  entre os sexo esteja sempre associada ao amor entre os parceiros. "É por se amarem que papai e mamãe dormem juntos e tem bebês". 
                   Quando o desenvolvimento da criança está se processando normalmente, aos 3 anos ela já estará sabendo, por exemplo: a) que as crianças nascem da barriga da mãe: b) que as meninas são diferentes dos meninos - elas parecem com as mães e eles com os pais; c)  que os meninos tem pênis que às vezes fica ereto; d) que as meninas, quando forem adultas, também poderão ter bebês; e) que as meninas foram feitas para serem mamães, que elas não tem pênis por serem diferentes, mas terão seios para amamentar seus filhinhos. 
                  A criança que toma consciência de que um dia será adulto como os pais, tem grande curiosidade e quer vê-los, por exemplo: trocar de roupa, tomar banho, etc. É uma curiosidade inocente para saber como ela própria será quando for adulto. Esta relação, entretanto, vai depender, em grande parte, da atitude da família a respeito de algo que ainda embaraça, mesmo os pais mais esclarecidos. Mutos se confundem e não sabem como agir. Mas foi sua própria atitude, ao se ocultarem de algum modo, quando trocavam roupa, que chamou sua atenção. Nesta fase a criança está muito atenta às diferenças entre os sexos. Ficam imaginando que os pais devem fazer alguma coisa diferente que ainda não lhe contaram. A curiosidade fica mais aguçada com a insistência dos pais para que ela "saia do quarto" ou "não abra a porta do banheiro" quando eles estão sem roupa. A situação é sempre um pouco difícil. O pai não pode, de repente, ficar nu diante da fi.ha de quatro anos. Se ele houvesse assumido uma atitude natural desde o início, por certo não ficaria nesta situação penosa.  Entretanto, a criança tem o direito de saber como são os homens e mulheres adultos; de ter uma noção real do mundo, para poder se sentir bem nele; de saber aquilo que é parte  importante das relações básicas da vida. Se isto lhe for negado só aumentará sua curiosidade e, tão logo tenha oportunidade, ela irá buscar essa informação de outra forma, muitas vezes perigosa. 
                   Os pais que acostumaram seus filhos a vê-los sem roupa de vem em quando, terão sua função de educadores muito facilitada. Mas é importante que isto aconteça desde o primeiro ano de vida. Crianças que crescem assim, consideram a nudez dos pais como algo natural, obtêm suas respostas e deixam de se preocupar com isso. Porém, esta naturalidade não deve nunca ser forçada. Toda a criança é observadora  e perspicaz, pois ela está descobrindo o mundo e as informações são importantes. ela sempre perceberá o constrangimento dos pais que apenas estão fazendo aquilo par atender seu pedido. Quando os filhos não foram preparados desde os primeiros dias, é melhor não atender de imediato o pedido, por exemplo: (para vê-los sem roupa), mas deixar que em outra ocasião ela os veja naturalmente sem que tenha pedido. 
                  Muitos pais tem o tabu da nudez arraigado, mas não colocam nenhum obstáculo a respeito de terem seus filhos dormindo com eles no mesmo quarto, apesar de todas as sérias implicações que esta atitude pode ter. Os cuidados devem ser redobrados. A criança não tem condições psicológicas, nem mesmo quando é bebê, de enfrentar o impacto da visão de um ato sexual. Tudo tem seu tempo certo. Embora possa estar pronta para receber muitas informações que envolvam sexo, não está preparada para assuntos íntimos que só dizem respeito ao casal. Se de todo for impossível um quarto só para a criança, ela deverá ter sua cama separada - ao menos por um biombo - da cama dos seus pais. 
                  Ao entrar para a escola é importante que a criança já tenha satisfeita toda a sua curiosidade inicial pelos pais, que serão seus principais orientadores e fonte segura de informações diante dos muitos mistérios da vida e do mundo. A partir do início escolar, a natural evolução intelectual da criança se encarregará de fazer com que estes assuntos percam sua atual predominância. Entretanto, não se deve esperar que ela vá desinteressar-se totalmente deles, pois toda a pergunta é parte de sua formação.  
                   Quando o filho atinge a adolescência, a maioria dos pais costuma deixar a tarefa de educação sexual para os professores que se dispõem a esclarecê-los. No entanto, não se deve esquecer de que a adolescência é o segundo estágio do aparecimento das naturais curiosidades da criança. Suas interrogações surgiram há muito tempo. Pode ter sido, por exemplo, quando aos três anos a menina viu o amiguinho fazer "pipi".  E, se naquela época, seus pais se furtaram a responder suas perguntas, pode estar certo de que ela buscou, por outros meios, satisfazer sua curiosidade. Agora, a um passo de se tornar adulto, a criança adolescente desinformada corre riscos muito maiores. Ela irá buscar informações junto a seus colegas que, naturalmente, não são as pessoas mais indicadas para tal tarefa. 
                   Por tudo isso, é importante que a educação sexual do seu filho comece no primeiro ano de vida do bebê. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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terça-feira, 20 de agosto de 2013

> BOCAGE E SUA POESIA PORNÔ - Por Nicéas Romeo Zanchett


BOCAGE E SUA POESIA PORNÔ 
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                   Manuel Maria de Barbosa du Bocage, nasceu em lar português organizado e próspero em 15 de setembro de 1765, em Setúbal. Seu pai, José Luiz Soares Barbosa, bacharel em Cânones, que trocara a magistratura pela advocacia, e cujo exercício sabia humanizar com espirituosas poesias satíricas e já com tendências pré-românticas. Sua mãe, D.Maria Joaquina Xavier du Bocage, era filha do francês Gillet Le Dous (ou Hedois) du Bocage, que atingiu na Marinha portuguesa o posto de vice-almirante e que com certeza legou ao neto o gosto pelos "vastos mares". 
                    A lado do seu irmão Gil e de suas quatro irmãs, Bocage teve uma educação esmeradíssima. Ainda criança, já dominava o latim, o francês, o italiano e o espanhol. Aos oito anos, assistindo o pai,em Lisboa, na procissão de cinzas, aí realizou sua primeira sátira: 
"Fui ver a procissão de São Francisco, 
A que o vulgo chama de cidade. 
E suposto o apertão foi raridade
Que, indo em carne, não visse em cisco."
                    Depois da morte da mãe, quando ele tinha dez anos, sua vida sofria a primeira mudança. Com essa perda se desfaz a atmosfera que lhe propiciava os estudos, e muito cedo, aos 14 anos, sem maiores explicações à família, ele assenta praça no regimento da Infantaria, aquartelando-se em Setúbal. O pai, com certeza desejando-lhe melhor futuro, se curva ante a sua decisão e, quatro anos depois, não se sabe se por causa de sua impulsividade ou pela iniciativa do pai, o jovem Manuel transfere-se para Lisboa, onde passa a frequentar a real Academia de Marinha. 
                    Seria ideal, segundo os desejos dos familiares, ele dar continuidade à tradição do avô francês. Como marinheiro, satisfaria ele ao mesmo tempo os desejos e tradições da família e as tendências do temperamento irrequieto. 
                    Provando os prazeres da capital, o jovem se entrega ás dissipações boêmias, nas reuniões nos cafés de Lisboa. 
                    Em pouco tempo admite ser um amante da vida caserna e em 1784, por suas faltas cada vez mais constantes, é dado como desertor. E, longe da rígida disciplina da academia, dá asas à imaginação e começa  provocar, apesar da pouca idade (19 anos), a estima e admiração por parte da intelectualidade boêmia de Lisboa. 
                     Até sua partida para a Índia, ele teria muito tempo para praticar a sua mordacidade, encolerizando os frades, que só amava naos altares, nas competições dos pátios dos conventos, onde enfeitiçava freiras com suas graças de improvisador de versos e suas práticas morais e imorais de "devoto" de muitas moças num só momento. 
                    O ambiente em que Bocage vivia era, oportunamente, propício a este viver ao acaso. Não haveria na Europa lugar mais alheio a preocupações maiores, como muito bem podia se saber pela literatura das disputas literárias a que os artistas se entregavam, tanto como as observações que liam nas gazetas a respeito da sociedade daquele tempo. 
                    Moço feito, Bocage era magro, moreno, macilento e de aspecto sombrio, porém mais para boa-pinta do que para feio. O apuro dos modos demonstrava a sua origem nobre, reafirmada pelas armas e pela toga. Sua testa era ampla, a boca rasgada, os lábios finos e olhos azuis brilhantes e vivos; e a cabeleira, eternamente revolta, acentuava-lhe o ar de inegável boêmio que era.  Ele próprio, sobre sua aparência, escreveu: 
"Magro, de olhos azuis, carão moreno, 
Bem servido de pés, meão de altura, 
Triste de facha, o mesmo de figura, 
Nariz alto no meio e não pequeno, 
Incapaz de assistir num só terreno; 
Mais propenso ao furor do que a ternura; 
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno; 
Devoto incensador de moças mil num só momento,
E somente no altar amando os frades; 
Eis Bocage, em quem luz algum talento; 
Saíram dele mesmo estas verdade,  
Num dia em que se achou mais pachorrento. 
                    Com a leitura deste auto-retrato, dá para perceber que Bocage não se ligava muito em sua aparência física. O talento, entretanto, era motivo de seu orgulho. 
                    Por se preocupar tão somente com "coisas do espírito", ele aceitou jantares, hospedagem de favor, proteções de ocasião, e já nesta envolvia-se em aventuras sedutoras e eróticas que são por ele contadas em bom português:
"Num capote embrulhado, ao pé de Armia, 
Que tinha perto a mãe o chá fazendo, 
Na linda mão lhe foi (Oh céus!) metendo
O meu caralho, que de amor fervia...
                   Nos últimos versos do soneto, o vate e a donzela foram apanhados em flagrante pela mãe da moça, que não hesitou em distribuir bofetadas na filha e no poeta. 
                   Mais feliz nos botequins, entre a arcádia e o clube revolucionário, ele vivia a decantar suas musas. 
                   Exitado pelo álcool e o tabaco, que consumia em doses industriais, divertia-se com seus improvisos. Dois botequins eram os preferidos de (Elmano Sadino) seu pseudônimo, e de seus amigos de beberragens: um era o Botequim do Nicola e o outro o Botequim das Parras, também chamado Arcádia das Parras, porque a sala principal era pintada de ramos de videira, de onde pendiam cachos. Ambos os botequins localizados no lado ocidental do Rossio, área conhecida na época como Agulheiro dos Sábios. E lá ficavam os intelectuais boêmios e toda uma cambada de desocupados, bebericando, recitando versos, ouvindo e discutindo as mais palpitantes novidades que iam pelo mundo. Madrugadas e madrugadas eram dissipadas pela malta que abitava aquelas tabernas. Sempre, entretanto, para o desassossego daqueles jovens baderneiros, surgia a figura do Intendente de Polícia Diogo Inácio de Pina Manique. Enérgico e incansável, ele se perdia na loucura de disciplinar tal plêiade. Mas Pina Manique, em sua própria ineficiência, era o estímulo principal para o frenesi dos jovens boêmios. 
                     Em 1786, Bocage obtém, por mercê régia, a nomeação de guarda-marinha, que não tinha alcançado por direito de escolaridade regularmente cumprida. Em abril do mesmo ano, parte em viagem com destino à Índia na nau Nossa Senhora da Vida, Santo Antônio e Maria Madalena. Vinha com uma escala pelo Rio de Janeiro, para buscar o governador da Capitania de São Paulo, Francisco da Cunha meneses, nomeado a partir daquele ano governador e capitão general da Índia. 
                     Deixando em Portugal a mulher amada, a sua Gertrúria, ele lamenta em versos a sua ausência, a falta que ela lhe faz. As atrações da viagem, entretanto, amenizam-lhe as dores do coração e finalmente ele chega ao Rio de Janeiro, onde foi muito bem recebido pelo governador Luis de Vasconcelos, protetor das artes e das letras. Por aqui o poeta se deslumbra com os olhos negros e as formas voluptuosas das cariocas e não se furta a entregar-se ás mais libidinosas aventuras, que talvez lhe tenham inspirado esse quarteto: 
" Quantas pediram, mas em vão, piedade
Encavadas por mim balbuciantes!
Ficando os seios alvejantes
Que hemorroidas não fiz nesta cidade!"
                    E do Brasil ele foi para Goa, na companhia de Cunha e Meneses, que não ficou insensível à simpatia e ao talento que o poeta irradiava. 
                    Sua chegada a Goa não foi das melhores. Seu temperamento extrovertido, habituado a vibrar em companhia, em resposta aos aplausos de admiração dos patrícios, o fez fica chocado com a indiferença dos orientais. Daí Bocage passou a exprimir a sua infinita tristeza e solidão, por estar num mundo completamente alheio ao seu: 
"Aqui vai sempre a mais minha amargura,
Aqui, pela saudade envenenado, 
Como espectro acompanho a noite escura. 
Aqui ninguém me entende,(hó! negro fado!?)
Nem deuses, nem mortais, ninguém me entende, 
Tão molesto se faz o desgraçado." 
                   Bocage foi um poeta de satíricas piadas de baixíssimo calão. Com sua forma peculiar de expressão, despia o manto do academicismo e, como seu inspirador, o nunca assaz louvado Camões, entregava-se à maior libertinagem. 
                   Os literatos portugueses do século XVII, travestidos em pastores, seguindo á risca o modismo arcaico, exaltavam insuportáveis sonetos, naufragando seu pequeno país em um oceano de má versalhada. 
                   Bocage, o poeta pornô foi, acima de tudo, um rebelde inovador e crítico do seu tempo. 
Nicéas Romeo Zanchett 


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